“Tava pensando uma coisa, vê o que tu acha.”

DW Ribatski, o quadrinista curitibano de Vigor Mortis, o tá-quase-saindo Campo em Branco e uma porrada de outras histórias publicadas aqui e ali, começou o convite com estas palavras. Queria escrever um texto sobre seu método de criação de HQ – que batizou de SHUFFLE – e ficou “pensando se não seria legal ter a mediação de um jornalista”. DW acabou a mensagem me desejando Feliz Páscoa. Era final de dezembro.

“Gerla sugeriu como referência Comics Journal ou o blog do Matt Seneca.” Arrã, claro, já fiz várias. Not.

O fato é que, no último FIQ, expliquei para o DW que eu tinha adorado a história dele na Café Espacial n. 10, chamada “Ambulância Pornô”. Mas não tinha entendido a trama. Ele tentou me explicar, sem muito sucesso. Concordamos que eu gostar-mas-não-entender podia ser uma coisa boa.

Sugeri uma entrevista construída pergunta a pergunta, via e-mail. Eu mandava uma pergunta, ele respondia, eu fazia outra pergunta e assim por diante. O resultado está abaixo. Tem narrativas femininas, koans e dopplegangers, Clarice Lispector e saber chegar à infância. Divirta-se.

por Érico Assis

* * *

Eu gosto dos seus quadrinhos. Gosto do traço, gosto da composição, gosto das ousadias formais. Mas nem sempre entendo, e gosto mesmo sem entender. Explique porque eu não consigo explicar.

Haha. Bem, acho que se todo mundo tiver essa opinião que você tem e ousar gostar de algo que não se completa inteiramente, será sinal de que eu alcancei meu objetivo. Basicamente: acho que tudo conta uma história. Temos essa capacidade de juntar pedaços.

2. Já que é o leitor que junta os pedaços, como é o processo de criação? Você pensa uma trama e depois desmembra ela em pecinhas de quebra-cabeça? Vai construindo variações sobre o tema? Existe um método?

Então, faz alguns anos que desenvolvo um método. É estranho chamar de “método”, já que ele  “exige” que eu não planeje muito, senão a minha tendência natural é escolher um molde que eu já tenha visto pra colocar a história dentro, e assim eu broxo antes de começar. Não acho que é desonesto usar moldes, é uma coisa minha mesmo. Saber exatamente o que vai acontecer me incomoda. Conhecer inteiramente os personagens me incomoda.

Acho que a narrativa naturalista não é a forma mais “correta” de comunicação, é só uma convenção bem arraigada e que, portanto, exige menos atenção pra se construir uma “história”. Eu digo que o método é uma variação da forma “feminina” de lidar com a consciência, menos racionalista.

3. Você quer dizer que um método mais “feminino” é menos racionalista, isso? Pode explicar melhor essa fuga da narrativa naturalista?

Isso, algo a ver com o “lado b” das coisas, o oriental, o feminino, o intuitivo, o que não parte de uma construção lógica com começo, meio e fim. Na verdade existe uma construção, sim, mas ela é determinada em diferentes momentos. Começa-se um pouco livre, às vezes no começo, às vezes no meio do processo rolam uns direcionamentos “masculinos”, mas uma coisa sutil, e você vai aprendendo com o tempo como fazer isso crescer.

Essa fuga tem a ver com o seguinte: depois de anos lendo, quadrinhos, livros etc. e lendo sobre teoria da escrita ficcional você começa a “escolher” onde se encaixa o tipo de trabalho que quer oferecer. Daí vem aquela premissa (chata na minha opinião): “é impossível inventar coisas novas, tudo já foi feito”. Eu não concordo. Posso estar errado, caso algo que eu faça seja analisado a partir de um contexto formal e histórico. Mas não me importa muito, desde que eu esteja “livre” durante o processo. O resultado nem sempre será bom, mas é preciso se permitir. A minha idéia é chegar  em lugares novos simplesmente tropeçando neles.

4. Ok, mas ainda nesta conversa sobre quebra da estrutura formal, há quem diga que é impossível quebrar a estrutura de três atos, seja qual for a narrativa. Toda história tem introdução, desenvolvimento, clímax, atenuamento, ou seja lá como você quiser chamar estes estágios. Início, ponto alto e fim, se preferir. Você também embarca nas suas histórias sem ter isso planejado? Você comentou que não gosta nem de saber muito dos personagens, mas tem ideia daonde quer chegar com eles?

Acho que pra conseguir esta quebra é necessário assumir algumas coisas: a narrativa de três atos e a construção de personagens é uma forma bidimensional de entender algum aspecto do mundo. E bastante eficiente, com certeza. Você dá funções, razões e personalidades aos personagens ou enfia uma paradoxalidade justamente pra inverter o que vinha construindo. E tudo acaba tendo uma relação causal tipo “isso causou isso” e o leitor fica sabendo de todos estes eventos. Assim, mesmo que aparente ter encontrado a “resposta” subjetivamente, ele recebeu pistas do autor.

Eu acho que prefiro explorar o “mistério” sem ter certeza da resposta. Um leitor pode virar pra mim e definir o personagem ou alguma atitude melhor que eu. O Gerlach em uma dessas me deu várias idéias sobre uma história minha chamada “DOIS”, que deve sair este ano num Minitonto do Zimbres. Falou pra mim que a história parecia um ‘koan’, e apontou a idéia do doppleganger no meio da história, fui pesquisar os assuntos e pirei! Tinha muito a ver mesmo.

Minhas histórias tiveram muitas influências, entre elas, as versões confusas de fábulas que meu avô contava, que por terem sido passadas por tradição oral, eram um mistério, que para ele se resolvia através, provavelmente, do mesmo mecanismo cerebral que o fazia não questionar a Bíblia. Onde estão os três atos na Bíblia? Ou por exemplo, a verdadeira história da Chapeuzinho Vermelho: o Lobo se adianta, mata a avó, se disfarça, faz Chapeuzinho beber o sangue da velha fingindo que é vinho ou algo assim e comer a carne dela. Não segue uma lógica do tipo atual, onde essa história se encaixaria como “terror” ou algo do tipo. Não busca se encaixar num estilo que o justifique.

A mitologia é uma grande influência. Então, não, nem sempre tenho intenção de levar o personagem pra algum lugar. É como uma música onde um instrumento não aparece nela inteira, só faz um som rápido ali no meio. E aí, o que isso representou pra música?

5. Em ‘Adultos Não Existem’, parece que você quer levar esse “não-causalismo” às últimas consequências. Os quadros fazem sequência aleatória, os diálogos não se completam, as frases ficam pela metade, até as palavras parecem intencionalmente cortadas. É algo que você quer desenvolver enquanto estilo ou você quis reforçar a desconexão neste trabalho específico?

Sim, tem essa coisa mesmo de tudo estar meio cortado, um pouco ilegível. Acho que tem a ver um pouco com minha paixão pela abstração. Sou meio fascinado pela idéia de que tudo contém energia e potencialidade: um rabisco qualquer pode ser um desenho, uma sequência de palavras pode ser um texto. Sempre curti experimentações em diversas áreas, e em certo momento resolvi começar a mixar essas idéias com quadrinhos. Acredito que a linguagem reconhecida como legível é só uma instituição, então se arriscar na mata fechada talvez permita encontrar a tal “originalidade”que tantos dizem não existir mais. A busca é dura, porque não pretendo criar um trabalho hermético e ficar me defendendo dizendo que as pessoas tinham que se esforçar pra entender, ainda assim não espero que todo mundo goste quando EU acho que acertei. rs.

Tem a ver também com conceitos orientais, onde o “ir” é mais importante que o “chegar”. Trabalhar o “quase”.Entender a coisa como uma composição, como uma canção instrumental, como uma sequência de cores e formas. Assim eu mesmo, enquanto autor, consigo tirar umas “lições” delas, como se minha opinião sobre a história tivesse o mesmo valor que a de qualquer leitor. Fazer personagens que “não sejam eu”, com quem eu não concorde ou entenda inteiramente e às vezes extremar alguma persona tímida própria.

E essa história que você citou, “Adultos não existem”, posso tentar interpretá-la “ao vivo”? Não costumo fazer isso, mas acho que as vezes ajuda as pessoas a entenderem o meu jeito de ver a montagem.

6. Mas se você interpretar a sua história “ao vivo”, não acha que vai prejudicar o que estava falando, sobre como você quer que o leitor fique meio perdido?

Hahah. Acho que se eu fizesse isso sempre, sim. Seria uma exceção. As vezes fico me coçando, querendo que as pessoas liguem os pontos. Porque no fim das contas sempre tenho uma boa história por trás da loucura toda.

7. Então, conte os bastidores. Como você chegou à história e especificamente a esta forma de contar esta história específica?

Então, essa parte é intuitiva. Não tinha um objetivo claro desde o princípio “quero tratar do tema x”.

Essa aí, por exemplo: de vez em quando faço uns exercícios de análise das coisas através de uma lógica livre, tentando enxergar o que tem por trás da impressão formatada que tenho das coisas. E nessas surgiu essa idéia. Talvez tenha tido à ver com a visão que eu tinha dos meus pais quando era criança, de que eles, por serem adultos, estavam isentos de certas coisas. Tem a ver com a perda dos rituais de passagem. Talvez a história devesse se chamar “Adultos não existem (mais)”, hehe. Mas não seria verdade também, acho que meu avô também era uma criança. Um bobo, cheio de manias e (tô imaginando o  Rafa Coutinho falando isso) coisas ‘lindamente’ não resolvidas.

Mas ó, essa história, como eu interpreto (deixando claro novamente que é possível “montar” ela de várias formas):

A moça está se maquiando, aparece o título falando sobre adultos, talvez ela seja meio nova, logo ela está transando, depois uma moça (que pode ser ela em outro momento já que o cabelo está comprido) está falando aparentemente de forma sentimental com um cara que está meio blasé, ela está falando sobre o assunto “família”, que por estar riscado, parece tentar esconder as palavras ao mesmo tempo que chama atenção pra elas exatamente por isso. De repente ela fala com esse cara sobre ele ter morrido. (Em que plano eles estão conversando? Sonho? Imaginação? Metáfora visual? A história era mentira? Ele na verdade está vivo? “Morreu” significa outra coisa? Esse cara realmente existiu um dia?) E ela continua o papo como se ele estivesse vivo. Ela comenta sobre divagações dela e volta pro lance de família, casamento. E depois volta a falar de algo que aconteceu e que ela ficou sabendo depois (a morte dele?), então ela faz uma última pergunta/proposta descrevendo como provavelmente era a vida deles e a carência que ela não conseguiu deixar de lado sobre a idéia do “casamento”.

8. E as decisões de estilo/narrativa, como os crops, aquela pintura riscada no terceiro quadro da segunda página, os vermes sobre o corpo, as palavras cortadas no meio da linha? Como você chegou nelas?

Então, faz tempo que não uso essa idéia de narrativa, mas tava pensando em tentar voltar a fazer isso de um jeito mais “controlado”. Na minha cabeça seria assim: as pessoas conversam e enquanto isso você vê imagens, que podem ser, o pensamento delas durante, ou metáforas visuais que somam informações ao “enigma”. Além disso, pra mim, esse corte de informações faz você perder o local onde a história está, como se ela se passasse num sonho, numa viagem lisérgica, num coma, numa meditação intensa, num limbo fora do tempo/espaço.

O quadro riscado tem a ver com outros elementos formais que vão ganhando significados, enfatizando o fato daquilo ser tinta no papel, a HQ ser um produto gráfico, um pensamento manipulado. O mesmo pro texto riscado. Sempre busco essas coisas que só serviriam em quadrinhos, como seria uma palavra riscada num balão na vida real? É tipo quando, sei lá, a Mônica, pega o balão e faz algo com ele como se ele tivesse uma forma física e não, fosse uma representação do som. (Porque quadrinhos não TÊM som!)

(Aviso aos leitores: a discussão sobre som nos quadrinhos é antiga e ficará para um outro post.)

9. Que autores – sejam ou não de quadrinhos – te influenciam a buscar esse tipo de narração? (Eu aindo acho que existe narrativa, e pensada) Só consigo me lembrar dessa fragmentação da narrativa, ou quebra-cabequização (gostei do “enigma”), no Chris Ware, embora não seja tão aparente quanto no seu trabalho.

Bem, eu tive um amigo chamado Eder Saragiotto Rodrigues que me apresentou várias das minhas influências. ele e outro amigo, Allan Ledo, faziam um quadrinho chamado Sangrando até morrer, que era muito mais abstrato q qualquer coisa que eu tenha feito. Aí que começou, acho. Tinha outro amigo, o Ganço, que tava sempre tentando fazer quadrinhos diferentes de tudo que existia, mesmo que ficassem brutalmente ilegíveis.

Depois comecei a ler Lispector, aquele livro Perto do coração selvagem, que é bizarro, e ficava me forçando a continuar, mesmo sem entender tudo. Desse fui pro Kafka, depois Joyce. O Godard causou impacto também, inesquecível aquele filme O desprezo. Tinha os livros de infância também que achei na casa do meu avô, no interior, tinha fábulas com bichos, desenhados realisticamente, que falavam e usavam roupas. Depois o Cortázar, John Cage, Nirvana, Of Montreal, tanta coisa. Nos quadrinhos não sei. Clowes, Charles Burns, o pessoal da Kramer’s Ergot me impressionou muito, gente tipo o CF, Marc Bell, Gary Painter, Elvis Studio, Matt Brinkman, Frank Santoro, Debbie Dreschler…

10. Destes nomes nos quadrinhos, você cita vários dos que se costuma agrupar como ‘primitivistas’: Panter liderando a turma, a Kramer’s Ergot como incentivadora, depois o CF, Matt Brinkman, aqui no Brasil o Gerlach etc. Como você vê esse movimento nos quadrinhos hoje? Ele me parece algo que quer, de um lado, rejeitar toda a estética do quadrinho mainstream de qualquer parte do mundo e, por outro, entregar-se a uma certa arrogância cínica que parece ser o discurso de quem sai de escola de arte hoje – ou pelo menos é o clichê dos artistas plásticos. Tenho que acrescentar que não vejo você como representante do movimento, pois você demonstra apuro técnico nos quadrinhos – coisa que os primitivistas, a meu ver, fazem questão de não demonstrar.

Ah, acho que cada um tem seu caminho. Acho, na verdade, que a técnica destes que você citou são muito mais complexas que aprender perspectiva, anatomia, luz e sombras. Eu acabo tendo algo a ver com isso porque foi assim que eu comecei, estudando pra ser um “desenhista de realidade”, até descobrir que meu traço era torto mesmo, meio tremido, impreciso, e nessa hora que fui reparar no traço do Charles Schulz e me identifiquei. Depois conheci o trabalho de pessoas como a Debbie Dreschler e desde então foi uma luta particular. Quebrar a perspectiva ou outras “regras” do desenho realista era um desafio muito maior do que aprender a fazer o “certo”. Como eu poderia “me comparar” com esses autores naifs, com linguagens simples, porém complexas no conceito, com design original e ainda manter o que eu já vinha fazendo há tantos anos?

E não concordo que eles tenham um discurso de escola de arte, até porque o figurativo já perdeu força no academicismo lá pelos anos 70, eu acho que é muito mais uma coisa da rua, à la Sonic Youth, arte pras massas, arte livre, arte punk, de quem “não sabe desenhar” mas usa outras áreas do cérebro pra criar composições visuais. Talvez tenha a ver com as sombras da caverna do Platão, o que será sombra e o que será “real” neste caso…? Acho que a arte é livre o bastante pra que tudo coexista sem valorações muito sérias. No boteco com os amigos tu fala mal de tudo mesmo, hehehe.

11. Talvez eu tenha me expressado mal. Duvido que caras como C.F., Gary Panter, Gerlach e outros NÃO tenham domínio técnico para “desenho de realidade”. O primitivismo é opção estética, opção por não mostrar o apuro técnico e voltar a um desenho mais primitivo. É uma exploração, como o cara que – não sei se estou citando uma pessoa ou se é um sentimento geral – tem anos de desenho e pintura mas quer regressar aos rabiscos de quando era criança. E creio que não dá pra negar que existe um movimento de quadrinistas tomando essa rota hoje em dia. Queria que você comentasse isso, e se este pensamento também tem relação com as tuas opções estéticas.

Entendi. Creio que tem, sim. Não colocaria dessa forma, apesar de ter muito a ver, o lance de regressar à infância. Eu colocaria como CHEGAR na infância. Acho que o que esses caras buscam, ao meu ver, e é o que eu tento buscar também, são novas formas de comunicação, por vezes mais limitadas, sim, mas acho que é algo que precisamos fazer por nós. Eu, ao menos, tenho essa necessidade, quase como que física. E eu, que dou aula pra crianças, fico impressionado com a visão rica delas, principalmente na faixa dos 7 anos, quando já tem todas as capacidades lógicas, mas ainda não “aprendeu” a conter conceitos, que vão (sic) moldar seu caráter e por conseguinte sua visão estética. É tipo olhar pra uma árvore e pensar: “meu deus, é um ser vivo que parece não se comunicar (ao menos não de forma óbvia pra nós), que cresce em direção ao céu, se alimenta do chão e cresce, tal qual o formato de um raio ou uma microvida, se espalhando e tomando ambientes.”. Ser adulto talvez seja esquecer algumas coisas. Esquecer talvez seja parar de perceber. Parar de aprender. Parar de querer aprender. Parar de querer entender e fixar-se no que é “claramente explicável”.

12. Para fechar, como funciona esse processo shuffle quando o roteiro é de outra pessoa, ou compartilhado? Como foi o caso de Campo em Branco, em que você trabalhou com Emilio Fraia?

Bem, daí temos uma outra “vertente”, porque as idéias rebatem. Mas acontece do Emilio me passar uma coisa e eu devolver bem diferente, e a partir disso ele tem outra idéia. Isso porque acho um saco desenhar cenas “inúteis” só pra dar um diálogo ou passar um tempo na história. Acabamos dando um ritmo bem dinâmico, onde tem sempre algo acontecendo, mesmo que não soe muito importante. Daí vem o trabalho depois de ver se o ritmo tá legal, se as cenas soam naturais.

Acho que esse é um ponto que vai ficar bem diferente da Cachalote, temos muito menos silêncio, páginas transitórias, ações detalhadas. Foi uma escolha estética, até um pouco baseada na idéia de fazermos diferente deles. Eles mandaram muito bem, e fizeram 300 páginas. O nosso vai ter metade disso. Espero que crie uma emoção equivalente, a seu modo.

Acho que o ritmo do filme do Scott Pilgrim tem um pouco a ver, mas no caso deles, vezes oito em comparação com o nosso. Hahaha.

*  você pode ver a versão deste texto que foi publicada no sítio da CIA DAS LETRAS.
Anúncios